20/10/2009 SEGUNDA TURMA HABEAS CORPUS 89.837 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. CELSO DE MELLOPACTE.(S) : EMANOEL LOUREIRO FERREIRA IMPTE.(S) : JASON BARBOSA DE FARIA E OUTRO(A/S) COATOR(A/S)(ES) : PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
E M E N T A: “ POLICIAL CIVIL – INVESTIGAÇÃO HABEAS CORPUS” – CRIME DE TORTURA ATRIBUÍDO APOSSIBILIDADE DE O MINISTÉRIO PÚBLICO, FUNDADO EMPOR ELE PRÓPRIO PROMOVIDA, FORMULAR DENÚNCIA CONTRAREFERIDO AGENTE POLICIAL – INVESTIGATÓRIA – VALIDADE JURÍDICA DESSA ATIVIDADECONDENAÇÃO PENAL IMPOSTA AO POLICIAL TORTURADOR -LEGITIMIDADE JURÍDICA DO PODER INVESTIGATÓRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO –MONOPÓLIO CONSTITUCIONAL “ MARYLAND DA TITULARIDADE DA AÇÃO PENAL PÚBLICA PELOPARQUET” – TEORIA DOS PODERES IMPLÍCITOS – CASO “McCULLOCH v.” (1819) – MAGISTÉRIO DA DOUTRINA (RUI BARBOSA, JOHNMARSHALL TRIGUEIRO , JOÃO BARBALHO, MARCELLO CAETANO, CASTRO NUNES, OSWALDO, v.g.) – OUTORGA, AO MINISTÉRIO PÚBLICO, PELA PRÓPRIACONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, ATIVIDADE POLICIAL – INVESTIGATÓRIO NAS HIPÓTESES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA , O INQUÉRITO POLICIAL,QUE CONSTITUI PENAL O inquérito policial qualifica-se como procedimentopré-processual, ordinariamente vocacionado a, nos casos de infrações perseguíveis mediante ação penal dea atuação persecutória do Ministério Público, que édos elementos que compõem a “informatio”. Precedentes. - administrativo, de caráter subsidiar iniciativa pública, o verdadeiro destinatário delicti A investigação penal, quando realizada por organismosserá sempre dirigida por autoridade policial, a quemexercer, com exclusividade, a presidência doA outorga constitucional de funções de polícia judiciárianão impede nem exclui a possibilidade de odominus litis”, determinar a aberturaHC 89.837 / DF 2 de inquéritos policiais, investigatórias, requisitar esclarecimentos e diligênciasestar presente e acompanhar, junto a órgãos eagentes policiais, quaisquer atos de investigação penal, mesmoaqueles sob regime de sigilo, sem prejuízo pareçam vedado traduz A ACUSAÇÃO PENAL , PARA SER FORMULADA, NÃO DEPENDE,NECESSARIAMENTE Ainda que inexista qualquer investigação penal promovidapela Polícia Judiciária, o Ministério Público, mesmo assim, podefazer instaurar, judicio informação, fundados em base empírica idônea, deduzir, validamente, a pertinente “persecutio criminis in”, desde que disponha, para tanto, de elementos mínimos deque o habilitem aperante juízes e Tribunais, a acusação penal. Doutrina.Precedentes A QUESTÃO DA CLÁUSULA CONSTITUCIONAL DE EXCLUSIVIDADE E A ATIVIDADE INVESTIGATÓRIA A cláusula de exclusividade inscrita no art. 144, § 1º,inciso de investigação criminal do Ministério Público - finalidade policiais federal IV, da Constituição da República - que não inibe a atividadetem por únicaconferir à Polícia Federal, dentre os diversos organismosque compõem o aparato repressivo da União Federal (polícia, polícia rodoviária federal e polícia ferroviária federal),primazia investigatória na apuração dos crimes previstos no própriotexto da Lei Fundamental internacionais.
- Distrito Federal, excetuada investigação dos ilícitos penais (crimes prejuízo subsidiária, o Ministério Público.
- penal reconhecimento, ao Ministério Público, do poder investigatório em matéria penal. ou, ainda, em tratados ou convençõesIncumbe, à Polícia Civil dos Estados-membros e doressalvada a competência da União Federal ea apuração dos crimes militares, a função de proceder àe contravenções), semdo poder investigatório de que dispõe, como atividadeFunção de polícia judiciária e função de investigação: uma distinção conceitual relevante, que também justifica oDoutrina.HC 89.837 / DF
3 É PLENA A LEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL DO PODER DE INVESTIGAR DO MINISTÉRIO PÚBLICO (EMBORA DETENTORES DA FUNÇÃO DE POLÍCIA JUDICIÁRIA) NÃO TÊM SISTEMA JURÍDICO BRASILEIRO INVESTIGATÓRIA O poder de investigar compõe, em sede penal, o complexode funções institucionais do Ministério Público, condição de “ competência para exercer o controle externo da atividade policial, que dispõe, nadominus litis” e, também, como expressão de suada atribuição de fazer instaurar, ainda que em caráter subsidiário,mas investigação penal informativos, de subsídios probatórios por autoridade própria e sob sua direção, procedimentos dedestinados a viabilizar a obtenção de dadose de elementos de convicçãoque lhe permitam formar a “opinio delicti”, em ordem a propiciareventual ajuizamento da ação penal de iniciativa pública. Doutrina.Precedentes CONTROLE JURISDICIONAL DA ATIVIDADE INVESTIGATÓRIA DOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO: OPONIBILIDADE DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS PODER DE INVESTIGAÇÃO PENAL O Ministério Público, sem prejuízo da fiscalização intra-e daquela desempenhada pelo Conselho Nacional doestá permanentemente sujeito ao controledos atos que pratique no âmbito das investigaçõesex propria auctoritate”, não podendo, dentreoutras investigado ao silêncio (“ ordenar a condução coercitiva, contra si próprio, limitações de ordem jurídica, desrespeitar o direito donemo tenetur se detegere”), nem lhenem constrangê-lo a produzir provanem lhe recusar o conhecimento das razõesmotivadoras do procedimento investigatório, nem submetê-lo a medidassujeitas fazer-se acompanhar de Advogado, à reserva constitucional de jurisdição, nem impedi-lo denem impor, a este, indevidasrestrições ( O procedimento investigatório instaurado pelo Ministériodeverá conter todas as peças, termos de declarações oudepoimentos, laudos periciais e demais subsídios probatórioscoligidos no curso da investigação, não podendo, o “Parquet”,HC 89.837 / DF 4 sonegar elementos de informação, apuração penal, investigação O regime de sigilo, sempre excepcional, eventualmenteno contexto de investigação penal promovida pelonão se revelará oponível ao investigado e aoque terão direito de acesso –considerado elementos de informação que aos autos do respectivo procedimento investigatório. A C Ó R D Ã O o princípio da comunhão das provas – a todos osjá tenham sido formalmente incorporadosVistos Ministros do Supremo Tribunal Federal, Presidência da Ministra Ellen Gracie, julgamentos e das notas taquigráficas, indeferir Relator. Gonçalves. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Cezar Peluso. Brasília, 20 de outubro de 2009. CELSO DE MELLO – RELATOR , relatados e discutidos estes autos, acordam osem Segunda Turma, sob ana conformidade da ata depor unanimidade de votos, emo pedido de “habeas corpus”, nos termos do voto doFalou, pelo Ministério Público Federal, o Dr. Wagner Fonte: STF - prevalecente Ministério Público, Advogado por este constituído, , selecionar ou deixar de juntar, aos autos, quaisquer dessescujo conteúdo, por referir-se ao objeto dadeve ser tornado acessível tanto à pessoa sobquanto ao seu Advogado. - Público ao regular desempenho de suas prerrogativas profissionaisLei nº 8.906/94, art. 7º, v.g.).
- -orgânica Ministério Público, jurisdicional penais que promova “ , A ESTES, DO SISTEMA DE, QUANDO EXERCIDO, PELO “PARQUET”, O. .
- , POIS OS ORGANISMOS POLICIAIS, NO, O MONOPÓLIO DA COMPETÊNCIA PENAL.
- ..- , DE PRÉVIA INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL.de outras medidas que lheindispensáveis à formação da sua “opinio delicti”, sendo-lhe, no entanto, assumir a presidência do inquérito policial, queatribuição privativa da autoridade policial. Precedentes.- policiais, igualmente competirá respectivo inquérito.
- à instituição policial Ministério Público, que é o “ UM DOS DIVERSOS INSTRUMENTOS ESTATAIS DE INVESTIGAÇÃO, TEM POR DESTINATÁRIO PRECÍPUO O MINISTÉRIO PÚBLICO.DO PODER DE CONTROLE EXTERNO SOBRE ALIMITAÇÕES DE ORDEM JURÍDICA AO PODERDO MINISTÉRIO PÚBLICO – “HABEAS CORPUS” INDEFERIDO.
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